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Sobre os Testes para Godan – por Mark Lithgow

O texto a seguir foi escrito por Mark Lithgow, no dia 10 Julho de 2011, e foi publicado em seu próprio site. Trata-se de uma conversa que teve com o Soke sobre a aplicação dos testes para godan fora do Japão, sem a presença do mesmo.

Tive algumas dificuldade na tradução e o texto está com uma leitura difícil – peço desculpas. O link para o texto original está aqui. Creio que entenderão as minhas dificuldades. O importante neste caso é o que ele quer dizer. Qualquer dúvida expressem nos comentários, pois pode ser a dúvida de outros.

Para auxiliar a leitura coloquei algumas orientações entre [colchetes]. O que estiver entre eles é uma adição MINHA.

Bufu Ikkan,
Daniel Pires Shidoshi

Marc

Ok … Eu quero deixar isto escrito antes que eu esqueça a conversa que tive com o Soke há cerca de uma hora atrás.
Aqui está a história completa, para colocá-lo [o leitor] no contexto:

Nesta semana recebi vários e-mails de pessoas da Europa e dos EUA sobre a aplicação de testes para o godan. Testes para geodan costumavam ser concedidos exclusivamente por Hatsumi Sensei até poucos anos atrás, quando ele tinha seus 15º Dan realizando os testes sob sua supervisão. Eram poucas exceções em que 15º Dan recebiam permissão especial para aplicar os testes. Naquela época [Hatsumi] Sensei costumava pedir para que o teste fosse filmado e mostrado à ele.

Aqueles que me contataram o fizeram por terem notado que algumas pessoas diziam nos anúncios de seus seminários que haviam recebido permissão para realizar os testes. Estas pessoas pediram ajuda para entender o que está acontecendo. As preocupações iam desde “Posso aplicar os testes também?” até “É ESPERADO que eu também realize estes testes?”. Alguns exprimiram a preocupação de que o teste para Godan, que costumava ser um privilégio exclusivo do Soke, é um “tesouro” da Bujinkan e que ao tornar-se aberto poderia vir a perder seu valor. O medo é que ele se tornse nada mais do que uma “ferramenta de marketing”. Devo que admitir que compartilho destas preocupações.

Eu não tinha certeza sobre a situação ainda …. por isso …nesta manhã, antes de ir para treinamento com Hatsumi Sensei no Hombu Dojo, coloquei tudo isso no papel (em japonês) e enviei por fax para Soke. Descobri que esta é uma boa maneira para se comunicar com ele, já que ele pode ler e meditar sobre a questão antes, com mais tempo. Geralmente discute depois o assunto comigo, no dojo. Eu estava certo em explicar para ele em detalhes as confusões das pessoas, dúvidas e preocupações.

Eu não fiz contato visual com ele até que passou por mim, curvou-se em cumprimento e disse: “Obrigado! Obrigado pelo fax!”. Ele não mencionou isso novamente até se retirar[após a aula, provavelmente]. Depois de fazê-lo, disse a todos (comigo traduzindo), “Acerca dos testes para godan… Quando a realizar estes exames é importante ter pelo menos três 15º dan presentes (um para aplicar o teste e os outros dois para julgar). Cabe a esses 15º dan certificarem de que a pessoa que se submete ao teste está física e mentalmente preparada para realizá-lo, e que ele(a) já seja um 4º dan. “

Isso não foi o suficiente para mim, então pedi à ele depois que esclarecesse algumas coisas. Tivemos uma boa conversa ainda de pé, no dojo. Perguntei: “Basicamente qualquer 15º dan pode aplicar o teste, se houver outros dois presentes?” “Sim… Contanto que me comuniquem antes!” Foi sua resposta. Ele voltou a salientar a responsabilidade que as pessoas estão aceitando se administrar esses testes. Eles devem verificar com exatidão todas as informações da pessoa que está se submetendo ao teste. Devem saber há quanto tempo ela treina e com quem. Sugeriu também fosse entregue aos 15º dan um Budo-reki (um registro escrito da história da pessoa nas artes marciais, incluindo outras artes estudou … seus professores, etc.). Este Budo-reki deve ser parte julgamento sobre a pessoa estar ou não qualificada para realizar o teste. Eles devem também verificar provas físicas de que a pessoa é realmente um 4º dan.

Contei então as minhas preocupações sobre isso se tornar nada mais que uma ferramenta de marketing para algumas pessoas. Ele concordou, mas disse que agora era o momento em que ele observar se as pessoas amadureceram ou não até o nível que ele espera. “Se eles fizerem bobagem …”, brincou, “terão que vir até mim para serem testados novamente!”. Ele admite que há um “risco” nesta confiança que ele está colocando nas pessoas, mas que é um risco importante para o crescimento da Bujinkan. Ele está observando atentamente como os professores da Bujinkan reagem a essa responsabilidade.

Desta minha conversa com o Sensei segue um o resumo para ajudar a entender a situação:

  • O 15º dan que desejam administrar testes devem entrar primeiro em contato Hatsumi Sensei, para receberem a autorização. Isto pode ser feito por correio, fax ou, se um tradutor estiver disponível, por telefone.
  • Não basta aceitar as pessoas ‘na porta’ para fazer o teste. Faça algum tipo de processo de candidatura. Eles devem ser capazes de provar que são 4º dan e que eles treinaram o suficiente. “Meu cachorro comeu meu certificado” não é aceitável! Se houve algum problema administrativo os impedindo de receber um certificado, isto deve ser esclarecido ANTES de fazer o teste! Considere este alguém como candidato a um emprego. Eles têm que ter seu currículo aceito até mesmo para atingir a fase de entrevista. Seu Budo-reki é o seu currículo! Aceitar algum tipo de “tese” pode ser bom também. Só para provar que eles têm alguma “substância” em seu Budo-reki. (Eu, particularmente, eu não me envolverei em qualquer teste godan antes de ver fisicamente um certificado original de 4º dan … Tenho visto muitas cópias fraudulentas e fotos modificadas enquanto ajudo no Honbu Dojo).
  • É parte do processo de ‘veto’ saber se a pessoa é saudável … fisicamente E mentalmente!
  • Após a pessoa ser bem sucedida no teste, todos os detalhes devem ser enviado para o Honbu Dojo imediatamente. Data e local do teste… nomes e assinaturas do examinador [quem aplica o golpe] e dos juízes, juntamente com todos os detalhes e fotografias do novo 5º Dan. Estes serão seus registros a partir de então. Também é interessante que seu Budo-reki esteja incluso. Na minha opinião, filmar o teste e enviar um DVD para constarem nos registros também é uma boa ideia. Mal não pode fazer, não é?
  • Ser apto para aplicar os testes 5º dan deve ser considerado um privilégio e uma honra! Este teste é o passo mais importante em nosso treinamento na Bujinkan, é quando nos tornamos alunos diretos do Soke. Esta capacidade deve ser vista como digna e especial… não apenas como uma ferramenta para o marketing para um seminário ou para si próprio. Devemos fazer um esforço para provar ao Soke que a sua confiança em nós é justificada!

Mark Lithgow shihan

Hôken é Kenpô – por Arnaud Cousergue

Arnaud Cousergue sensei

Arnaud Cousergue sensei

Após este primeiro seminário dedicado à espada chinesa¹ pensei que pudesse compartilhar com vocês algumas das minhas descobertas. Eu estou apenas começando a entender o poder desta arma fantástica e ainda tenho que muito o que treinar para desvendar sua riqueza. Desde o seminário tenho treinado todos os dias por meia hora nos movimentos particulares desta nova lâmina. Eu também tentei entender o que alguns dos meus amigos compartilharam comigo a partir do que aprenderam no Japão desde o início do tema deste ano.

Alguns pontos-chave e descobertas para ajudar a sua prática:

  • Não treine com uma espada japonesa (de madeira ou metal), esta não irá permitir que você tenha a sensação correta de como mover-se com esta arma. O comprimento é também diferente, e não há qualquer curva (sori).
  • Ainda que o Sensei² tenha dito que não há kamae nem técnicas de Ken, ele continua usando alguns Kamae típicos, tais como: Shizen, Hira Ichimonji, Tôtoku Yôshi, Ichimonji. Tente-os – eles irão ajudá-lo em sua compreensão.
  • Movimentos corporais semelhantes ao Aruki Juji da Gyokko Ryu podem ser amplamente utilizados para libertar a lâmina reta e criar um movimento curvo.
  • A direção não é importante, a lâmina pode golpar para frente, para trás, de maneira reversa ou mesmo por trás. Pare de pensar como um Samurai! Esta lâmina foi criada pelo menos 20 séculos antes da Katana!
  • O elevado peso da lâmina muda completamente a maneira de mover o corpo. É hora de alcançar um corpo flexível e realmente abaixar os quadris. Isso é de suma importância.
  • A lâmina “guia”” o corpo, mas os movimentos deste libertam a lâmina e permitem que ela “puxe” o corpo. Pense nisso como o Yinyang, o magnetismo ou ação quântica: ambos estão alimentando um ao outro.
  • O Ken é a origem das técnicas dos movimentos com Tachi, usar estes movimentos de Tachi lhe ajuda a chegar mais perto do sentimento adequado para Ken
  • Ao contrário de espadas japonesas, a Ken é reta e possui dois gumes: não se corte quando você colocar a lâmina de volta na bainha!
  • A Ken é pesada (mais do que uma espada japonesa normal) por isso tome cuidado para não bater em si mesmo ao fazer o Furi³ (isto aconteceu comigo durante o treino*).
  • A Ken muda facilmente de uma mão para outra, como se fosse um Hanbo. Não pense em “espada”, não pense, mova-se!
  • A Ken, assim como a Tachi, é utilizada principalmente para estocar, cortar não é a melhor escolha (a lâmina  é reta). A estocada é feita com o corpo inteiro, muitas vezes em uma espécie de movimento Sanshin.
  • Se você tiver que cortar com a Ken, faça-o com o corpo todo, como no Taijutsuregular. Mova as pernas!
  • Não pense num movimento, deixe o corpo fazê-lo e que a lâmina vai tornar-se viva.
  • Use a bainha (é sólida) para se esquivar dos ataques ou para ajudar nos contra-ataques.
  • Treine o Sanshin com a Ken. Sensei aparentemente disse que o nosso “Sanshin no Kata” havia sido desenvolvido para este tipo de chinês de espada(Ken).
  • O movimento Sanshin é importante quando se utiliza a Ken. Treine os cinco elementos com a Ken. Quando você fizer isso você irá achar incrível o quão lógicos são estes movimentos com este tipo de espada. Pelo menos eu achei.
  • Use seus ante-braços para mover a lâmina pesada. Lembre-se disto é principalmente Katate, como nos movimentos com Tachi.
  • Use seus braços para apoiar a lâmina (a parte plana). E mantenha-a próximo ao corpo.
  • Sempre que possível mantenha a espada junto ao corpo, para golpear, girar, cortar.
  • Não pense, apenas faça! E isso trará a vitória**.

Treino há quase 30 anos na Bujinkan e esta nova e inesperada arma é como um presente do Sensei. Meu conselho a você é: peguee uma espada chinesa e treine duro, você irá descobrir uma nova direção, 方 (Ho); um novo mundo de possibilidades.

A Hoken 宝 剣 (espada divina) de 2013 é o verdadeiro Kenpo 剣 法 (esgrima), e na verdade eu começo a pensar que é o verdadeiro princípio da luta de espada, Ho no Kenpo 法 の 剣法.

A cada ano o Sensei vem com um novo tema e cada ano eu me sinto como uma criança no Natal, mas este ano com esta nova espada é como ganhar uma loja inteira de presentes (kurimasu ho) クリスマス 舗

Então? Ho Ho Ho ou Hô Hô Hô?

*:  Isto é segredo. Se você repetir isso irei negar, pois é apenas entre eu e você. Ok?

**: Nike é a deusa grega da vitória.

Arnaud Cousergue Shihan

¹ Nota do Tradutor: ou Ken, a arma tema deste ano.

² Nota do Tradutor: o Sensei à quem Arnould se refere é Hatsumi Sensei.

³ Nota do Tradutor: Furi se refere à movimentos de giro, como em Bo Furigata.

Tradutor: Daniel Pires Shidoshi
Publicado originalmente em:
http://kumafr.wordpress.com/2013/02/08/hoken-is-kenpo/

Uma breve história da Takagi Yoshin Ryu

Samurai desenhado por Raira Merce

Samurai desenhado por Raira Merce

“Um salgueiro é flexível, mas uma árvore alta é frágil.”

Em 1569, durante a Era Yeiroku (1568-1579), na região de Yama Funagata, em Miyagi, viveu um sacerdote da montanha(Yamabushi) da família Abe chamado Unryu (Dragão das Nuvens). O Bugei Ryūha Daijiten lhe dá o nome de Sounryu. Ele era um especialista em shuriken, bojutsu, yari, naginata e taijutsu do Rinpo Amatsu Tatara Makimono Hiden. O denshō (pergaminho) Amatsu Tatara foi mantido por Abe, Nakatomi, Otomo, e as famílias Monobe. Família de Takamatsu Sensei também possuiu uma cópia, através de sua relação de sangue com a família Kuki. Unryu ensinou Sukesada Ito, um famoso artista marcial de seu tempo (meados do século XVI). Ele era um samurai de Katakura Kojūrō, na província de Fukushima. Ele acrescentou hanbo, kenjutsu e kodachi aos ensinamentos de Unryu e ensinou à Takagi Oriuemon Shigenobu (um jovem samurai dohan Tohoku-Shiroichi, em Oku, norte do Japão) as técnicas que mais tarde se tornariam Takagi Yoshin Ryū. Este recebeu o Menkyo Kaiden quando ele tinha apenas 20 anos de idade. No 15 de agosto de 1695, foi nomeado shihan de seis diferentes escolas marciais da guarda imperial, pelo Imperador Higashiyama.

Takagi Oriuemon Shigenobu revisou, ampliou e aprimorou as técnicas que aprendeu com Sukesada Ito, e colocou juntos no que veio a se chamar Takagi Yoshin Ryū  a “Escola da Árvore Alta e do Coração Elevado” ou “Escola do Coração do Salgueiro” . O estilo foi chamado de muitas coisas ao longo de sua história, incluindo Jutaijutsu, Jujutsu, eDakentaijutsu. Foi fortemente influenciado por Takenouchi Ryū Jujutsu, e Kukishin Ryū. No século 17, o soke de Takagi Yoshin Ryū  Takagi Gennoshin Hideshige, e o soke deKukishin Ryū, Ohkuni Kihei Shigenobu, travaram um duelo amistoso e se tornaram amigos íntimos. Os estilos trocaram ensinamentos e se reestruturaram, e a partir disso seguiram sua história próximos.

A linha sucessória de soke é:

Unryu
Ito Kii Sukesada
Takagi, Oriuemon Shigetoshi (1625-1711)
Takagi, Umannosuke Shigesada (1655-1746)
Takagi, Gennoshin Hideshige (?-1702)
Ohkuni, Kihei Shigenobu Genroku (1688)
Ohkuni, Yakuburo Nobutoshi
Ohkuni, Tarodayu Tadanobu
Ohkuni, Kihei Yoshisada
Ohkuni, Yozaemon Yoshisada
Nakayama, Jinnai Sadahide
Ohkuni, Takezaemon Hidenobu
Nakayama, Kaemon Sadasaka
Ohkuni, Kamahura Hidetoshi
Yagi, Ikugoro Hisayashi Tempo (1830-1844)
Fujita, Fujigoro Hisayoshi
Mizuta, Yoshitaro Tadefusa
Takamatsu, Toshitsugu (1887-1972 )
Hatsumi, Masaaki (1931)

Características

“Suave como algodão, duro como um relâmpago; coragem para vencer dez mil homens.”

Esta escola é famosa na Bujinkan como a “Escola de Guarda-Costas”, com técnicas dejujutsu rápidas e eficazes, e daisho sabaki (jujutsu utilizando o daishō) especializado em espaços pequenos, como corredores. Também utiliza de armas longas como Rokushaku Bo e Yari nestes espaço restritos. Praticantes da Takagi Yoshin Ryū utilizam seus conhecimentos de Kyushō e Taijutsu para mover o protegido.

Suas técnicas de torções e arremesso tem como características movimentos otoshi, que impedem o adversário de escapar com rolamentos. Essa característica tem a ver com eliminar o mais rápido possível – pois está se pensando em proteger alguém – e com o espaço restrito e que a atividade de guarda-costas geralmente acontecia (dentro de castelos, especialmente).

Kyushō da Takagi Yoshin Ryū

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Buyu – por Michael Simien

Michael Simien sensei

Michael Simien sensei

Com frequência me perguntam:

“Você ensina autodefesa?”

E sempre sorrio com a pergunta. Sou da opinião que nós, seres humanos, nascemos com os instintos básicos, adequados para nos defender, e equivalentes à nossa idade e tamanho. Por exemplo: Bebê = grita por socorro, Criança = grita por socorro e corre (fuga), Adulto = grita por socorro, corre (fuga) e revida (luta). Também nascemos com a capacidade de aprender observando os movimentos dos outros, que devem estar alinhados com os dos nossos pais e outros membros da nossa tribo (nossa família e amigos, por exemplo).

O primeiro problema que encontramos no mundo moderno é que o aprendizado sobre se defender contra os ataques na realidade não existe. Este aprendizado ou é feito de forma incorreta ou feito a partir de posições em que não se pode atacar uma pessoa com eficácia.

Creio que a causa é que a maioria dos professores da chamada “autodefesa” não sabem como atacar alguém efetivamente, ou não ensinam os alunos que estão fazendo o o papel do atacante como fazê-lo corretamente. Instrutores e estudantes, atenção, vocês não podem aprender como sobreviver a um encontro perigoso praticando com um atacante que não sabe sequer como atacar de verdade ou de maneira realista

No entanto, a solução para isso é simples: aprenda a atacar ou convidae um instrutor de outro dojo (até mesmo de um outro estilo) que tenha a experiência necessária para lhe ensinar. Atacar e defender faz parte de todas as artes de guerra. É uma regra fundamental da lógica marcial de sobrevivência aprender o uso adequado de estratégias de ataque e de defesa. Faça desta regra parte do seu dojo se você se preocupa com seus alunos e consigo mesmo.

Você reage da maneira que treina.

Bufu Ikkan,

Michael Simien
Tradutor: Daniel Pires Shidoshi

Kamae – por Hatsumi sensei

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As posturas corporais do taijutsu são mais do que posturas utilitárias ou maneiras formais de posicionar o tronco e os membros. O kamae do ninjutsu é melhor descrito como a representação física do panorama mental. A qualquer momento da vida ou em situação de combate, o corpo e a consciência em que ele hospeda estão sujeitos ao constante processamento do desenrolar de uma série de instantes presentes. Para se tornar eficaz nestas situações, a mente e o corpo devem estar completamente sincronizados para evitar ações ou reações inapropriadas. Na realidade, “mente” e “corpo” são apenas termos arbitrários que aplicamos para uma divisão inventada de uma entidade que é única.

Quando aplicado propriamente, o kamae reflete o coração do ninja. Isso significa que nossa natureza física se conforma às nossas intenções e não há divisão entre nossos aspectos interior e exterior. Esse estado de total integração mental e corporal é completamente natural e pode ser prontamente observado nos movimentos dos animais enquanto eles interagem com seu ambiente. Somente os seres humanos parecem ter a necessidade de desenvolver a naturalidade do movimento corporal através do treinamento.

O kamae apenas guia ou sugere a forma mais efetiva de usar a arma que é o corpo. Sendo assim, eles são atitudes físicas e de maneira alguma devem ser uma imitação precisa. Cada corpo individual, com sua configuração única de alinhamentos muscular e osseo, vai determinar suas próprias variações práticas e de conforto para a postura básica de combate. Com o progresso do estudante, o kamae se torna cada vez menos importante como uma pose específica, e é gradualmente assimilado nas caracteristicas do individuo. Uma vez que estes fundamentos são interiorizados, a postura de combate mais avançada se torna a “postura de não combate”.

Masaaki Hatsumi

Tradução: Gustavo Sícoli
Revisão: Daniel Pires Shidoshi

Uma experiência no Piso Rouxinol – por Chris Cowan

O Piso Rouxinol, ou uguisubari (鴬張り), foram projetados para fazer sons parecidos com gorjeios quando alguém anda sobre eles. Estes pisos foram usados nos corredores de alguns templos e palácios, sendo o exemplo mais famoso o Castelo Nijo, em Kyoto. Tábuas secas naturalmente rangem sob pressão, mas estes pisos foram feitos de maneira que as tábuas esfregassem-se com as jaquetas ou os grampos que as prendem ao chão, fazendo um som de gorjeio ou um chilrear. Estes pisos que rangem foram utilizados como um dispositivo de segurança, assegurando que ninguém poderia andar pelos corredores sem ser detetado.

Rouxinol refere-se à uma variedade japonesa de toutinegra, o uguisu:

Cettia_diphone_(crying)

Enquanto andava nos halls do Castelo Nijo Sr. Hoffer, Sr. Ellis e eu percebemos o ranger e notamos que era um piso rouxinol. Depois de ouvir um pouco os sons que faziam as pessoas à nossa volta e o ranger do piso, resolvi mudar minha forma de caminhar. Tai sabaki. Utilizei yoko aruki e a forma lateral de caminhar. Sr. Hoffer notou três japoneses mais velhos que estavam visitando apontando para mim, não os notei na hora pois estava concentrado observando e ouvindo as tábuas sob meus pés. Ele se referiam a mim como “ninja”. Sr. Hoffer me disse depois o que aconteceu. Foi bem legal perceber que o treinamento que Michael Simien shihan me deu valeu muito a pena, fui capaz de andar pelo piso sem fazer um som sequer. E ser notado por anciões japoneses e depois ver seus sorrisos também aqueceu o coração.

Autor: Chris Cowan
Tradutor: Daniel Pires

Maneiras no Dojo – por Mark Lithgow

Este texto foi postado por Mark Lithgow em seu mural no Facebook:

Mark Lithgow shihan, no dojo da Shin Kage Ryu

Mark Lithgow shihan, no dojo da Shin Kage Ryu

A todos os meus amigos Bujinkan:

Semana passada tive uma conversa com Soke sobre “modos de dojo”, e ele disse que era importante transmitir essas coisas a todos os membros da Bujinkan Dojo. Hoje, domingo, 10 de maio de 2015, durante a aula ele solicitou que eu ensinasse isso à todos os presentes.

A etiqueta do dojo pode variar de escola para escola, e até mesmo de dentro de uma mesma escola, como no caso da Bujinkan. Muitas vezes ela é aprendida simplesmente observando outras pessoas que a conhecem melhor. Infelizmente nos dias de hoje temos tido tantas pessoas no novo Hombu Dojo, e como a maioria destas pessoas é nova, ela não têm muitos bons exemplos para observar e aprender como as coisas devem ser feitas. Muitas vezes senti a necessidade de intervir, e fazer as vezes de “polícia das boas maneiras”. Por vezes sinto-me um pouco mal fazendo isso, mas por outro lado este dojo também é minha casa. Sou parte deste dojo, não um visitante, e tenho sido por quase três décadas. Na verdade é meu “dever” instruir os visitantes sobre como se comportar em meu dojo.

Quando discutia isso com Sensei, logo tornou-se evidente que este tema o afeta bastante. Ele pode parecer tranquilo quanto a essas coisas, mas por dentro ele espera que as pessoas tenham boas maneiras e respeita as que têm. Ele também sente que não é sua tarefa ensinar ou reforçar a etiqueta, e está correto. Como Soke, ele deve ir até seu dojo, ensinar e ir embora. O funcionamento geral do local, limpeza e a manutenção, devem ser feito por outros. Isso também vale para coisas como o uso correto da etiqueta. Ele disse que os shihan devem lidar com isso, e graças a minha experiência em dojo de outras artes, sei como um dojo DEVERIA ser tratado. Aparentemente, por essa razão, sou a “pessoa perfeita para transmiti-lo”. =)

Hoje ele disse hoje, quando voltou para sua casa após o treinamento:

Como podemos esperar sermos levado a sério pelo mundo das artes marciais japonesas, se a nossa etiqueta básica dojo é tão relaxada

A pedido do Soke falei hoje sobre três pontos no dojo. Provavelmente outros surgirão, mas já é um bom começo. Também sinto que terei que repetir o aviso mais vezes, até que haja exemplos suficientes para os novos visitantes aprenderem e para estas maneiras tornarem-se parte real da nossa cultura de dojo. Este pontos podem parecer muito básicos e na verdade são apenas bom senso para muitas pessoas, mas pelo que temos visto recentemente eles não o são para todos e devem ser abordados.

1 – Curvar-se para entrar e sair do dojo

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Curvar-se quando entrar e sair de um dojo no Japão é “senso comum”. Você verá este costume ser praticado também fora do dojo, em lugares como supermercados e lojas de departamento. Funcionários quando deixam o chão da fábrica, seja para uma pausa ou no final de seu turno, diante da porta onde pode-se ler  “Apenas pessoas autorizadas”, viram-se e curvam-se ao local antes de passar pela porta. Eu mesmo tenho que admitir que às vezes, no antigo Hombu Dojo, fui preguiçoso e negligente com o ato de curvar.

Quando o novo dojo estava em construção comentei isso com Soke, dizendo-lhe que, embora algumas vezes tenha sido preguiçoso, havia criado uma nova regra para mim para depois que o novo dojo foi aberto. Tivemos uma longa conversa sobre isso, que continuou na semana passada. Para ele, curvar-se quando entra no dojo é essencial para mostrar respeito ao lugar. Para o Sensei até mesmo curvar-se duas vezes não seria ruim: a primeira vez ao entrar do prédio e mais uma vez ao entrar no dojo propriamente dito, nos tatami. Seguindo a conversa ele disse que curvar-se na entrada do prédio é opcional, mas curvar-se ao entrar na área de treino é essencial.

Ao cruzar o limiar, pare, curve-se, espere um pouco e então adentre o dojo

Nesse momento você está deixando o mundo exterior para trás e entra em “modo de treinamento”. O mesmo se dá ao ao sair. Pare e curve-se. Tome um momento para refletir sobre o fato de que você saiu de lá com segurança, e está prestes a voltar para o mundo real.

Só é necessário fazer isso uma vez ao entrar e uma vez ao sair. Se você vai sair para pegar algo em sua bolsa ou para usar o banheiro não é necessário curvar-se. Apenas quando entrar e sair do “modo de treinamento”.

2 – Sapatos devem ser deixados na entrada

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Isto baseia-se numa idéia simples:

Dentro é dentro e fora é fora. Os dois lugares devem ser mantidos separados.

Quando estamos treinando no dojo vestimos calçados apropriados para ambientes interiores, geralmente tabi, que podem ter solados de pano ou de couro. Tabi com solados de borracha, conhecidos como jika tabi são para ambientes externos, e NUNCA deve ser usado no dojo!
Calçados de interior são para ambientes internos. Calçados de exterior são para ao ar livre e devem ser calçados SOMENTE ao ar livre.
As placas de madeira no chão sobre a genkan (entrada) formam o limite entre os espaços e são consideradas parte interna. Algumas semanas atrás encontrei um monte de sapatos sobre as placas. Se você estiver usando tabi (para ambiente interno), não as suje indo para fora para, em seguida, levar a sujeira para dentro. Se você quer ir lá fora fumar um cigarro rápido, por favor ponha seus sapatos. Novamente, uma vez que seutabi ter pisado fora, por favor, não traga a sujeira o dojo! E ao tirar os sapatos não pise fora para então subir. Tire os pés dos seus sapatos direto para o piso do dojo! A entrada no novo dojo é um pouco pequena e às vezes não há muita escolha a não ser dar um passo ou dois do lado de fora, mas por favor tentem evitar esta situação.

3 – A parede Shômen

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A parede shômen (frontal) é onde fica o kamiza que é considerada parte sagrada dodojo, a qual deve-se respeito.

Não é um lugar para se colocar objetos pessoais. Nada exceto o que pertence àquele lugar deve ser colocado sobre a prateleira.

No novo dojo, sob o kamiza, há um piso de madeira como uma alcova, que é usado para colocar estátuas etc, mas deve ser tratado da mesma maneira que o altar. Não é lugar para as bolsas e bebidas. E certamente não é para as pessoas andarem, ficarem em é ou sentarem-se. Na verdade toda a parede frontal deve ser tratada da mesma maneira. No novo dojo temos, além das áreas mencionadas, o restante da parede ocupado com armários para guardar as armas utilizadas no treinamento, mas mesmo no antigo dojo, onde havia algum espaço sobrando de cada lado, a regra era que nenhum objeto pessoal deveria ser colocado contra a parede frontal. As paredes laterais, ok, mas não na parede da frente, que é considerado como uma extensão do próprio kamiza.

Os pontos acima foram os mencionados hoje, mas um gostaria de adicionar outros referentes a coisas que observei hoje as quais sinto merecerem uma menção:

Primeiro, quando uma técnica está sendo mostrada no meio do dojo, por favor, esteja ciente de seus arredores e mostre alguma consideração com outras pessoas que também estão tentando ver o que está sendo mostrado. Se você encontra-se junto a parede ou não há ninguém atrás de você, pode permanecer de pé, mas se você olhar por cima dos ombros e notar que as pessoas atrás de você não conseguem ver direito, por favor, agache-se ou ajoelhe-se. Hoje estava traduzindo e nestas situações tento ficar um pouco mais perto de Sensei, porém costumo ficar sempre à frente, ajoelhado, nunca na parte de trás, e mesmo assim haviam pessoas pé na minha. Um pouco de consideração, por favor!

Segundo, se você já usou armas do dojo durante o treinamento: rokushakubo,hanbo, fukuro shinai etc, por favor, coloque-os de volta no lugar. Há sempre pessoas que aspiram o chão após o treinamento (voluntários são sempre apreciados, por sinal!) e não é trabalho deles guardar suas armas!

Enfim, só queria que o povo do Facebook soubessem o que foi dito no Honbu Dojo hoje. Esperamos que isto também ajude a aumentar a atenção à etiqueta para pessoas que visitem o Dojo futuramente.

Este texto foi traduzido por mim, Daniel Pires, após comunicar o autor.
Realizei algumas modificaçães apenas buscando maior fluência
no português, mas logo no início há um link para a postagem
original

Novo site do Butoku Dojo

Este é o novo site do Butoku Dojo. O conteúdo ainda está sendo elaborado, mas você pode conseguir mais informações através dos emails disponibilizados na página Contato.

Bufu Ikkan,

Daniel Pires Shidoshi

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